"O meu maior desafio foi tentar me desvincular da visão de laboratório que vê o pequeno grande demais. É muita injustiça querer enxergar todas as maravilhas da vida através de um simples detalhe"

Camilla Haubrich

HISTÓRICO DO LABORATÓRIO

O Laboratório de Limnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro foi criado em 1989, com a transferência do Prof. Francisco de Assis Esteves da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) para o Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com o Prof. Francisco Esteves vieram da UFScar para a UFRJ quatro orientados: o Prof. Reinaldo Luis Bozelli (UFRJ), o Prof. Fabio Roland (UFJF), a Prof. Marina Suzuki (UENF) e Profa. Renata Panosso (UFRN). Estes profissionais, na época, desenvolviam suas teses no Programa de Pós-graduação em Ecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFScar).

Ao chegar a UFRJ a pequena equipe coordenada pelo professor Francisco Esteves se debruçou na tarefa de transformar um depósito de sucata de ar-condicionados, mobiliários e equipamentos, localizado no sub-solo do Bloco A do instituto de Biologia, até então quase inabitado, em um Laboratório de Limnologia. Esta tarefa demandou cerca de dezoito meses, durante os quais tiveram que se envolver pela busca de recursos financeiros para a obra e com a administração da mesma.

Paralelamente, a construção física do laboratório de Limnologia da UFRJ, a equipe dedicou grande parte do seu tempo em duas tarefas de cunho acadêmico: a primeira foi a concepção de projetos de cunho limnológico voltados ao estudo das lagoas costeiras do Norte Fluminense; o segundo, à concepção de um Programa de Pós-graduação, que mais tarde se tornou realidade com o nome de Programa em Ecologia da UFRJ (PPGE/UFRJ).

Para o desenvolvimento dos projetos de pesquisa, a equipe optou por concentrar suas atividades no município de Macaé, onde era possível encontrar lagoas de diferentes características ecológicas. Já no início das pesquisas, realizadas em condições muito precárias de infra-estrutura, foi detectado que, com a chegada da Economia do Petróleo na região, haveria a necessidade de maior presença de grupos de pesquisa capazes de realizar estudos de longa duração para fornecer resultados capazes de subsidiar o eminente desenvolvimento econômico regional em bases sustentáveis.

Neste contexto, a expansão das pesquisas em Macaé resultou em duas ações de grande importância científica e social: a criação do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socio-Ambiental de Macaé (NUPEM/UFRJ) e a liderança no movimento científico-social que levou à criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, o único Parque Nacional que protege ecossistemas de restingas no Brasil.

Atualmente, o Laboratório de Limnologia da UFRJ tem duas sedes: uma sede no Campus da UFRJ localizado na Ilha do Fundão (RJ) e outra no Campus UFRJ-Macaé (norte fluminense) e atua em várias regiões do país, desenvolvendo estudos sobre biodiversidade, ciclagem de nutrientes e em projetos visando a recuperação de ecossistemas aquáticos continentais. Estes projetos de pesquisas tem como metas principais gerar conhecimentos que possam ser aplicados na conservação, manejo e recuperação de ecossistemas aquáticos e a formação de profissionais altamente qualificados em Limnologia.

Desde a sua criação dois princípios de grande relevância, que constituem verdadeiros paradigmas no Laboratório de Limnologia da UFRJ:

a) a concepção dos projetos de pesquisas do Laboratório de Limnologia compromissados com o desenvolvimento científico na área de Limnologia e com a preservação dos ecossistemas aquáticos continentais, ao mesmo tempo com o papel social dos resultados destes projetos.

b) o compromisso com a formação de profissionais, caracterizados por sólidos conhecimentos científicos e por fortes princípios éticos, muitos destes profissionais lideram grupos de pesquisa em universidades, atuam órgãos governamentais e na iniciativa privada.

A produção de conhecimentos científicos na área de Limnologia, muitos dos quais pioneiros no Brasil, associado a formação de recursos humanos altamente qualificados são legados que permitem afirmar, que ao longo de sua história, o Laboratório de Limnologia tem prestado relevantes serviços à sociedade brasileira, na medida que tem contribuído de maneira consistente para a preservação, uso racional e recuperação de um recurso indispensável à sociedade: os ecossistemas aquáticos continentais.